News 11 meses atrás | Redação

Sebastião Salgado prevê fim da fotografia: “Não acredito que vá viver mais de 20 ou 30 anos”

"Estamos em um processo de eliminação da fotografia. Hoje temos imagens, mas não fotografias", insiste o fotógrafo

por Revista FHOX

Sebastião Salgado, um dos melhores fotógrafos dos séculos XX e XXI, apareceu mancando e de muletas na entrega do Prêmio Personalidade da Câmara de Comércio França-Brasil, no Rio de Janeiro. O fotógrafo brasileiro rompeu o menisco em sua última viagem à Amazônia, onde retrata comunidades indígenas há três anos.

Sebastião-Salgado-1Sebastião Salgado

Aos 72 anos, diz se sentir desconectado da tecnologia, dos celulares e aplicativos como o Instagram quanto as tribos que está registrando nos últimos meses. “Eu não sei nem ligar um computador”, confessa. O homem que imortalizou a pobreza e a natureza selvagem em todo o mundo continua trabalhando como fazia antes: com negativos e impressões, que revê e toca. Mas agora produz suas fotos com uma câmera digital.

sebastiao-salgado-genesis-3Sebastião Salgado

Às vezes, explica ele, olha o celular de seus sobrinhos e fica horrorizado ao ver como os aplicativos para compartilhar fotos acabam servindo para “exibir toda a sua vida, para que todos a vejam”. “Às vezes tem fotos interessantes, mas para fotografar você tem que ter uma boa câmera com uma lente adaptada, tem que ter uma série de condições, a luz… não pode ser um processo automatizado”, finaliza.

Autor de livros como “Trabalhadores” (1996), “Outras Américas” (1999), “Êxodos” (2000) e “Gênesis” (2013), Salgado acredita que a fotografia tem que passar pelo papel e que imagem não é fotografia. “A fotografia está acabando porque o que vemos no celular não é a fotografia. A fotografia precisa se materializar, precisa ser impressa, vista, tocada, como quando os pais faziam antes com os álbuns de fotos de seus filhos. Estamos em um processo de eliminação da fotografia. Hoje temos imagens, mas não fotografias”, insiste.

Sebastião-Salgado-3Sebastião Salgado

Filho de uma geração analógica e praticamente artesanal, o fotógrafo se atreve a prever uma data de expiração para a fotografia: “Eu não acredito que a fotografia vá viver mais de 20 ou 30 anos. Vamos passar para outra coisa.”

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