Transformando o caos em beleza através da arte

Marcio Paulo atua na fotografia e o título dessa matéria está na bio do artista no Instagram. E é algo que ele trata nessa entrevista e que define como seu parte do seu próprio estilo. Experimentações fazem parte da rotina dele que aplica fotos em folhas e cria projetos de alto nível com fotografia. Em sua nova fase ele acaba de lançar sua primeira coleção com fotos NFT. Marcio falou com a FHOX sobre sua visão desse mercado e outros assuntos relevantes da sua fotografia. Confira e aproveite para seguir: Photographer| NFT ARTIST (@marciopaulo_art) • Fotos e vídeos do Instagram

FHOX – Como começou na fotografia?

Marcio Paulo – Comecei na fotografia em 2014, com o sonho de um dia viajar pelo Nordeste do Brasil, por meio de um projeto documental, a fim de registrar a beleza do sertanejo e ser voz daqueles que “não têm voz”. Esse sonho ainda não foi realizado.

FHOX – Como define sua obra?

Marcio Paulo – Defino como uma forma particular de transformar o caos – interior e exterior – em beleza por meio de técnicas fotográficas, bem como outras experimentações.

FHOX – Por que entrou no NFT?

Marcio Paulo – Além da minha paixão pela arte, também sou apaixonado por tecnologia e inovação. O NFT é um meio de juntar essas paixões. Além disso, vejo-o como um grande portal de transição para a fotografia, quando se fala em direitos autorais. A tecnologia tem se transformado ao longo do tempo e a fotografia tem acompanhado essas mudanças. Assim, eu, como artista, também preciso acompanhar essa evolução.

FHOX – O que acha do potencial desse mercado?

Marcio Paulo – É um mercado bastante incipiente. Ainda está sendo desbravado. Mas acredito num grande potencial de valorização, marcando uma nova era, sendo um divisor de águas para essa geração.

FHOX – O que precisa melhorar para o NFT ser popularizado?

Marcio Paulo – Divulgação através das mídias sociais, de eventos, exposições, palestras, livros etc.

FHOX – O que acha do preconceito por parte dos colegas que não acreditam no NFT?

Marcio Paulo – O novo assusta. Através dos tempos, a fotografia tem passado por mudanças, por evoluções. Vejo que, de forma fluida, ela tem se adaptado às transformações tecnológicas de cada época. Assim foi quando ela migrou do analógico para o digital. Alguns chegaram a dizer que a fotografia digital não era fotografia. Mas, depois de algum tempo, tiveram que ceder às mudanças.

FHOX – Conte sobre sua coleção publicada como NFT?

Marcio Paulo – Outono é o início de um longo trabalho de ressignificação. Um universo que surge da experimentação. É um memorial póstumo a familiares com imagens geradas por meio da fotossensibilidade. O processo de geração das imagens se deu pela fixação destas às folhas das árvores, estabelecendo o diálogo entre a estação outono e a “colheita” daqueles que fazem parte da minha história e da minha esposa.

Este projeto foi realizado em meu ambiente familiar, captando a essência de minhas emoções, sentimentos e diálogos internos mais puros, e diversificados em cada retrato. Neles, são retratadas não apenas pessoas que em minha memória estão guardadas, mas cada vívida lembrança que trago de minha infância como os meus dedos deslizando sobre os cabelos branquinhos e fininhos do meu avô José.

Através de Outono, também são ressignificadas as emoções, os sentimentos e os conflitos internos mais intensos de minha esposa, que tinha apenas um mês de vida no ventre de sua mãe, no dia em que seu pai faleceu num trágico acidente de carro.

Não me submetendo a uma fotografia tradicional, mas ousando renovar e inovar em nome dos novos tempos e da transitoriedade da vida, minhas imagens buscam exaltar a beleza e o frescor da existência humana, a despeito da fúria da morte.