Trabalhando com flash – primeiros passos

Por Gabriel Bertoncel

É muito comum ouvir fotógrafos amadores falando frases como: “não gosto da luz do flash, a luz do flash é feia, não gosto de trabalhar com flash…” Será que isso é um fato ou não estão sabendo adequar o uso do flash a cada momento?

Fotografia significa escrita da luz (foto=luz, grafia=escrita) e mesmo uma luminária de jardim pode ser utilizada. A vantagem do flash é que ele concentra uma alta carga de luz e libera de uma vez, isso nos ajuda a trabalhar com um iso mais baixo, um diafragma mais fechado e ajuda a congelar movimento de modelos…

Imagino que quem não goste de flash prefira a luz natural. Sim, a luz de Deus é maravilhosa. O sol pode ser trabalhado de diversas maneiras diferentes trazendo várias luzes incríveis e vários climas diferentes, mas mesmo o sol, ao meio dia, é uma luz dura com sombra marcada que não é bonita. O mesmo acontece com o flash, com fresnel, HMI, led… Com a utilização inadequada até mesmo a luz mais bonita fica feia. Para fotografar um modelo no sol do meio dia podemos colocá-lo na sombra, iluminar ele com flash deixando o sol que não está favorável iluminar somente o fundo. Outra situação de utilização legal de flash com a luz natural é usar o sol como luz direta no modelo em um horário que esta luz valorize e utilizar o flash somente como luz de preenchimento para clarear as sombras não deixando tão marcadas. A luz do flash pode ficar estranha mesmo se este equilíbrio entre as luzes não for balanceado.

Em um evento, se trabalharmos com um ISO baixo, diafragma fechado e compensar tudo com o flash, iremos perder o clima do espaço e logo o clima do evento. Ficará somente a luz do flash no modelo com um fundo escuro. Recomendo subir um pouco o ISO, abrir mais o diafragma e captar o fundo com uma exposição que já traduz as cores e brilhos do ambiente. Para a pessoa a ser fotografada não precisaremos de uma carga muito alta do flash, afinal já estará entrando bastante luz na câmera. Será apenas uma luz para clarear os olhos e tom de pele. Uma luz de preenchimento. Isso irá reduzir o consumo de pilhas de um ttl, diminuir o tempo de recarga, agilizar todo o trabalho e traduzir o clima do evento para as fotos.

Para flashes de estúdio temos dezenas de modificadores e possibilidades, podendo deixar a luz dura, um pouco suave, muito suave, contrastada, sem contraste, podemos usar com uma passagem de luz mais dramática ou mesmo uma luz flat, sem passagem… A iluminação em estúdio demanda um aprofundamento maior que voltarei a falar aqui nas próximas oportunidades.

Mas sobre o uso do flash em si, testem todas as possibilidades e estudem os resultados, usem ele de forma direta, depois rebatam em uma parede ao lado, depois atrás, se tiverem modificadores testem todos eles de forma frontal, 3/4 do modelo, lateral, coloque rebatedores do outro lado, ou mesmo o lado preto do rebatedor para dar contraste, pode usar de contra luz trazendo volume… Tenho certeza que após este exercício e a aquisição deste conhecimento muitas pessoas irão mudar de opinião sobre o flash.

Uma dica final: quanto mais perto do objeto a luz estiver mais suave ela será e quanto mais longe, mais dura. Mesmo sem utilizar modificadores!

Divirtam-se.

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