Sebastião Salgado estreia a exposição “Amazônia” no Sesc Pompéia

A mostra que começa no próximo dia 15 em São Paulo apresenta de forma imersiva sete anos de experiências e expedições fotográficas do renomado fotógrafo na Amazônia brasileira

Após estrear na Europa, o Sesc Pompeia recebe a primeira edição no Brasil da exposição “Amazônia”, do fotógrafo Sebastião Salgado. A exposição começa dia 15/02 e vai até 10 de julho. Idealizada pela curadora Lélia Wanick Salgado, a mostra imersiva é um mergulho no coração da Amazônia e um convite para ver, ouvir e, refletir sobre o futuro da biodiversidade e a urgente necessidade de proteger os povos indígenas e preservar o ecossistema imprescindível para o planeta.

Sebastião Salgado, defesa da Amazônia e a fotografia após o fotojornalismo  | by Daniel Ramalho | F2Revista | Medium

“Ao projetar ‘Amazônia’, quis criar um ambiente em que o visitante se sentisse dentro da floresta, se integrasse com sua exuberante vegetação e com o cotidiano das populações locais”, disse Lélia em um comunicado para a imprensa. As fotografias (boa parte delas inéditas) revelam a floresta, rios, montanhas e a vida em 12 comunidades indígenas. Salgado mostra uma Amazônia ainda desconhecida apresentada em 250 fotografias na exposição no Sesc Pompeia.

Amazônia': nova exposição de Sebastião Salgado mostra uma floresta ainda  intocada e seus guardiões - Jornal O Globo

Para Danilo Santos de Miranda, Diretor do Sesc São Paulo, “realizar o debate acerca de temas cruciais para nosso destino enquanto sociedade consiste numa forma de criação de relações de pertencimento e partilha simbólica, propósitos que orientam as ações do Sesc desde sua fundação em 1946”. E complementa que “a exposição Amazônia cumpre, assim, a manutenção desse projeto de cidadania que, no caso específico da mostra, vislumbra, nos grãos que formam as fotografias, a semeadura nativa de discussões, engajamentos e diálogos que nos dizem respeito necessariamente”.

Sebastião Salgado na Amazônia - Suruwaha - Especiais - Especiais - Folha de S.Paulo

Após ter terminado o Gênesis, sua exploração fotográfica da natureza ainda intacta do nosso planeta, Sebastião Salgado orientou seu olhar em direção ao seu país natal, o Brasil, e mais precisamente a Amazônia. A fim de realizar esse novo projeto, ele passou longas temporadas junto com doze comunidades indígenas isoladas, navegou no gigantesco Rio Amazonas e seus afluentes e sobrevoou a densa floresta tropical com suas fronteiras montanhosas mais áridas. Foram seis anos de trabalho ao término dos quais todas as fotos e imagens ficaram prontas.

Acompanhada de uma criação sonora, uma original composição do músico francês Jean-Michel Jarre a partir dos sons concretos da floresta, a exposição – já inaugurada na França (Museu da Música – Filarmônica de Paris), na Itália (MAXXI Museu, em Roma) e na Inglaterra (Museu da Ciência, em Londres) – também dá voz às comunidades ameríndias. Além das mais de 200 fotografias, são exibidos sete vídeos com testemunhos de lideranças indígenas sobre a importância da Amazônia e os problemas enfrentados hoje em sua sobrevivência na floresta. “Esta exposição tem o objetivo de alimentar o debate sobre o futuro da floresta amazônica. É algo que deve ser feito com a participação de todos no planeta, junto com as organizações indígenas”, defende Sebastião Salgado.