O produto não importa porque não tenho clientes…

Ouvi essa outro dia e acredito que é um colocação que merece uma resposta cuidadosa

Não adianta eu focar em produto se não tenho nem clientes. Foi mais ou menos isso que ouvi recentemente…na verdade é algo que ouço com certa frequência. Existem variações da frase:

  1. para que criar produto se a fotografia não é algo importante na vida das pessoas?

  2. para que perder tempo com produto quando as pessoas querem só coisas digitais?

  3. para que criar algo diferente se serei copiado rapidamente?

  4. para que tentar algo novo se o que vendo já me atende bem?

Eu poderia continuar com a lista…mas melhor nos atermos aos grande pensamento por trás de tudo isso: eu não acredito na fotografia impressa! Se você acredita então o conflito pode ser outro. Por exemplo, que a sua fotografia digital é o produto e o cliente quer mesmo é isso. A pessoa que te contratar quer mesmo passar as imagens na tela e compartilhar. E na hora de fechar ou sondar o valor já vem perguntando se fica mais barato sem álbum ou outros produtos avulsos.

Voltando para a frase do título: o produto não importa porque não tenho clientes. Eu devolvi com essa resposta: talvez você não tenha clientes porque não tem algo para oferecer. É doloroso olhar para o que a gente faz de uma forma mais fria. E quem sabe notar que “minha arte” para o cliente não é bem isso. Agora produto, a foto impressa em algo, trata de um item concreto. É o que vai ficar. Em 2020 muitos fotógrafos sobreviveram com o apelo das fotos impressas. E fizeram isso apostando em decoração com fotos, álbuns de eventos que não foram impressos ou de imprimir e criar revistas e impressões de viagens e das próprias fotos dos clientes.

Marketing de permissão: O que é e quais são os benefícios?

O que a pessoa quer? ela quer um álbum com fotos maravilhosas ou poder relembrar momentos marcantes? Ela quer arte ou quer se sentir especial e bem consigo mesma ao ver as imagens? No fim a grande questão é: é sobre você fotógrafo ou é sobre ela, a pessoa?

Então, ter um produto é pensar na necessidade da pessoa. O que ela quer mesmo? ela quer animar o ambiente com uma foto de paisagem? ela quer celebrar a família com um retrato no porta-retrato? Ela quer se alegrar podendo reviver as histórias marcantes da vida? Sob essa ótica emocional o apelo é outro. Minha história (de cliente) é única, especial e inestimável. Agora se for só uma foto no papel não tem valor mesmo. Logo, para os profissionais da fotografia, o desafio é fazer a ligação dos aspectos emocionais que são relevantes para quem você quer atender. Chame isso de gatilho se quiser (para ficar na expressão da moda). Resumindo: quem colocou as pessoas em destaque e ouviu de verdade criou e vendeu produtos na pandemia. Quando a chavinha está ligada só no “é o que eu quero como fotógrafo” aí fica bem difícil mesmo.

E respondendo as outras questões rapidamente…

  1. para que criar produto se a fotografia não é algo importante na vida das pessoas? a fotografia não é importante mesmo, mas a vida e a história delas é…essa mudança de abordagem pode fazer a diferença.

  2. para que perder tempo com produto quando as pessoas querem só coisas digitais? o poder do marketing é em gerar demanda. As pessoas não precisam de iPhone (mas é um item de desejo que aliás até quem não tem condições acaba comprando…). E ainda: será que não quer algo impresso mesmo ou você está com preguiça de criar e tentar vender?

  3. para que criar algo diferente se serei copiado rapidamente? Isso se chama “jogo infinito” a fotografia é assim. Não sabemos quem são todos os jogadores e essa “partida” dos negócios é sem fim. Temos que jogar sempre e lançar novidades de tempos em tempos. Na história da arte vimos que grandes artistas que foram copiados saiam criando novas formas de fazer coisas artísticas. É um processo sem fim.

  4. para que tentar algo novo se o que vendo já me atende bem? Talvez te atenda bem hoje…mas tem relação direta com a questão anterior. Para ser copiado é rápido ou para perder apelo porque não é mais algo novo. Produto nasce, cresce e uma hora vai morrer também. Esse jogo de lançar coisas novas é infinito.

Fotografia é luxo? a história da vida das pessoas é luxo? relembrar é luxo? Fecho a reflexão aqui assim: produto custa e dá trabalho sim, mas é propósito do seu negócio de fotografia. É mostrar que você se importa com as pessoas e como disse antes…produto é marketing. Se você não tem isso bem alinhado então seu marketing está capenga.

Enfim, talvez então seja melhor invertermos a frase: na verdade você não tem clientes porque o produto não importa…

Nessa quarta (12) tem aulão sobre a importância do produto na fotografia. Saiba mais clicando aqui: https://www.sympla.com.br/negocio-com-foto-a-importancia-do-produto-na-fotografia-cursoebook

#fotopresente #marketingparafotógrafos

0 comentário