Memórias sangradas vida e morte nos tempos do cangaço

Com textos e fotos de Ricardo Beliel, Memórias sangradas: vida e morte nos tempos do cangaço entrelaça as histórias de 43 personagens que vivenciaram o cangaço, o imaginário do movimento que dominou o interior do nordeste brasileiro entre os anos 1920 e 40, aspectos da vida sertaneja e a própria experiência de Beliel em busca dessas histórias por mais de uma década.

Pré-venda (16/11 a 07/12): www.editoraolhares.com.br

Lives de pré-lançamento (youtube/editoraolhares)

Imaginário poético do cangaço, com Luciana Nabuco: 16/11, 19h

Antropologia visual do cangaço, com Milton Guran: 23/11, 19h

Cangaço, história popular, com o Luiz Antônio Simas: 30/11, 19h

Lançamento em 08/12 das 16h às 20h: Livraria Folha Seca,

Rua do Ouvidor, 37 – Centro, Rio de Janeiro

Lançado pela Editora Olhares, com apoio do programa Rumos Itaú Cultural, O livro Memórias sangradas: vida e morte nos tempos do cangaço, de Ricardo Beliel, reúne histórias de 43 personagens que tiveram suas vidas diretamente ligadas ao cangaço, fenômeno que dominou o interior de sete estados nordestinos entre os anos 1920 e 40 e está impregnado no imaginário cultural popular brasileiro. Além disso, traz 125 fotografias autorais e históricas.

Foram nove longas viagens à região, entre 2007 e 2019, em uma investigação incessante para montar o quebra-cabeças dessa história. Com sua vasta experiência em grandes reportagens, Ricardo Beliel buscava os resquícios das memórias do cangaço. Enquanto era tempo – em uma história que está para completar um século –, queria ouvi-los direto da fonte de quem conviveu com o movimento. No texto, os depoimentos diversos e a experiência pessoal do autor em busca de seus personagens em seus próprios ambientes originais são apresentados através de uma narrativa em que se misturam elementos das linguagens da reportagem, da crônica histórica e, em parte, como um diário de viagem.

Onze mil quilômetros foram percorridos, em grande parte em precárias estradas do interior sertanejo, resultando no encontro com tais personagens, contemporâneos ao cangaço, residentes em quarenta e nove localidades – palcos de lutas, amizades, emboscadas, amores e massacres entre cangaceiros, volantes, jagunços, coronéis e camponeses; um mundo sertanejo que está se extinguindo nas suas tradições orais.

Em cada personagem, testemunha-se esse fluxo da memória e do esquecimento, e se revela uma potente e épica narrativa das memórias pessoais que envolvem tradições e lugares. Os entrevistados, em sua grande maioria pessoas quase centenários, são descendentes da época do cangaço, personagens de um ciclo da história do Brasil, com suas falas resgatadas no livro para que não fiquem no esquecimento, como pedras silenciosas no meio do caminho.

“Que prazer ouvir prosas e histórias de vidas desse sertaozão sem porteira. Que prazer há nas palavras, olhares e gestos daqueles que nos contam tantas histórias maravilhosas sem a arrogância dos que acreditam saber mais que os outros. Esses sabem, sabendo de forma simples, as coisas essenciais de suas vidas. O coração do sertão nordestino, em cujas artérias empoeiradas circula o sangue que mantém a memória viva desses tempos do cangaço, pulsa nas coisas simples, nas conversas de fim de tarde, nas histórias que se revelam por entre olhares e gestos de generosa sabedoria. O sertão é Deus e o Diabo, é a degola do Brasil.” Ricardo Beliel.

Ao completar oito décadas de suas mortes, Lampião e Maria Bonita parecem estar mais