Imprimindo para recordar

Por Leo Saldanha e Thalita Monte Santo

A geração Z é reconhecida como nativa digital. Nascidos em meados dos anos 1990 até 2010, são consumidores de fotografia extremamente conectados. Um estudo da Infotrends, respeitada empresa de análise de mercado e consultoria estratégica, feito em 2018, foca na relação desse público com a foto impressa.

Segundo o levantamento, os consumidores nessa faixa etária querem uma experiência fotográfica fora do tradicional. O que no caso de foto no papel envolve fotopresentes personalizados e, de preferência, únicos. Essa demanda vem de um ponto simples: eles veem fotos o tempo todos em telas, redes sociais e na nuvem. Logo, a foto no papel tem que ser muito diferenciada.

A pesquisa, que entrevistou cerca de 1500 pessoas nos Estados Unidos, trouxe alguns dados de consumo e comportamento específicos dessa geração Z e apontou que 80% dos participantes usam, como câmera principal, o smartphone. Além disso, 60% possuem câmera digital além do dispositivo móvel. Já 83% deles compartilham fotos nas redes sociais e suas preferências são Instagram e Snapchat.

Aqui no Brasil as coisas não são tão diferentes. Em um levantamento informal feito pelo Twitter, identificamos que os jovens estão em busca de impressão de fotos, principalmente aquelas que compartilham em redes sociais ou armazenam em smartphones. Eles também são sensíveis a preço e querem decorar o quarto ou compartilhar entre amigos.

Para Verônica Martins, de Guarulhos (SP), presentear pessoas em datas importantes ou somente colocar as fotos à vista, para lembrar de momentos especiais, é o que a motiva fazer impressões. “Isso me dá tranquilidade e em algumas situações mantém meu foco, meu objetivo. Me faz recordar o que realmente importa na vida”, conta. Para ela, que costuma fazer impressões em lojas físicas, o ato de revelar fotos significa carinho, cuidado e memórias.

Verônica se casou em 2017 e não fez o álbum de fotos. Recebeu as fotografias apenas via internet e as salvou na nuvem. “Compartilhei o link com muitas pessoas da minha família e amigos interessados em ver as fotos, mas sinceramente, não foi a mesma coisa que a tão esperada chegada do álbum”, explica.

impressão

[/media-credit] Verônica e Rodrigo se casaram em abril de 2017


Ela lembra que antigamente, quando um álbum era revelado, as pessoas marcavam visita só para ver as fotos. “Existiam mais conversas, mais contato. Hoje as coisas estão muito individuais, você manda o link de acesso do álbum via internet, algumas fotos por WhatsApp ou até compartilha na rede social, mas é diferente”.

“Quando completei dois anos de casada, meu marido me presenteou com um porta retrato dos grandes, com algumas fotos reveladas para irmos trocando com o tempo. Hoje esse porta retrato fica no nosso rack e além de sempre lembrarmos desse dia, quando recebemos visitas, normalmente, nos perguntam sobre as fotos. É uma oportunidade para revivermos juntos, mesmo que por uma tela, o dia do nosso casamento”.

Consciência Ambiental

Para Verônica, a fotografia impressa significa uma forma de reviver memórias. Mas ela também não concorda com a impressão de muitas fotos, por uma questão sustentável e de noção de espaço físico. “É exatamente essa a vantagem da câmera digital, você poder tirar milhares de fotos e revelar apenas uma que represente aquele momento”, diz.

É justamente a impressão com responsabilidade que a Two Sides, organização global sem fins lucrativos, defende. Ela promove a produção e o uso responsável da impressão e do papel, bem como esclarece equívocos comuns sobre os impactos ambientais da utilização desse recurso.

Segundo dados do IBÁ (Instituto Brasileiros de Árvores) de 2018, publicados pela Two Sides, hoje, no Brasil, 100% do papel fabricado vem de árvores plantadas para esse fim e o País tem 7,8 milhões de hectares de florestas plantadas. As indústrias que utilizam essas árvores preservam outros 5,6 milhões de hectares de matas nativas. De acordo com dados da ANAP (Associação Nacional dos Aparistas de Papel), no Brasil, recicla-se 64% do papel consumido.

“As fotos impressas estão sendo substituídas por telas, como fundo de tela de celular, notebook, porta retrato digital. Se multiplicam tanto com um simples compartilhamento e as pessoas já estão se acostumando com isso. Mas mesmo com tanto avanço tecnológico, acredito que sempre haverá um público interessado que acredita no afeto que existe na fotografia impressa e dá valor a uma cartinha escrita à mão no verso de uma foto”, afirma Verônica.

Produto Emocional

Ainda de acordo com a Infotrends, no último ano, 41% da geração Z fez algum tipo impressão de fotos em loja física, site ou via app. E 60% da geração Z comprou fotopresentes. Os preferidos são cart