Fotografia profissional: como aplicar a proporção áurea?

Técnicas como a espiral de fibonacci e a simetria dinâmica podem transformar o trabalho e estilo de um fotógrafo do bom para o excepcional

Para além da regra padrão dos três terços, fotógrafos e filmmakers têm na proporção áurea uma opção de técnica muito mais ampla e capaz de transformar seus projetos em composições naturais e impactantes. Isso porque essa razão matemática, com os primeiros registros datados do século V a.C, está intrinsecamente ligada à maneira como enxergamos o mundo, e é fruto do estudo de padrões encontrados por toda a natureza.

1,618, ou “phi”, como foi nomeado pelos gregos, é o número pelo qual qualquer artista pode multiplicar uma reta e obter dois segmentos harmoniosos e naturalmente equilibrados entre si. 1 para 1,618 (número aproximado e sempre arredondado) é uma proporção que pode ser encontrada por toda a natureza, nos galhos das árvores, no ângulo e na distribuição das sementes de girassol, em todo lugar.

O uso deste número na fotografia tende a criar composições que simplesmente aparentam ser equilibradas e atraem a atenção e curiosidade do espectador. Fotógrafos famosos, como Annie Leibovitz, ou diretores de fotografia como Roger Deakins, usam e abusam da proporção em suas técnicas. Antes deles, os grandes artistas renascentistas como Michelangelo e Da Vinci também a utilizavam.

Aplicar a proporção áurea em uma composição pode fazer a diferença entre uma foto mediana e uma foto excepcional.

Como aplicar à fotografia?

A fórmula com que phi foi descoberto e originalmente calculado é um pouco complicada, mas a Sequência de Fibonacci, e a famosa espiral que a ilustra, é ideal para ser usada no ofício da fotografia. Descrita por Leonardo Fibonacci, em seu livro Liber Abaci, a sequência se inicia com 0 e 1, e todo número conseguinte é uma soma dos dois anteriores.

1, 1, 2, 3, 5, 8, 13, 21, 34, 55, e assim por diante. Nesta sequência, todo número dividido pelo anterior resulta em um número irracional aproximado de phi. Se a mesma lógica é aplicada a formas como quadrados, é possível construir um grid harmonioso, capaz de equilibrar a composição e atrair o olhar. A famosa Espiral de Fibonacci.

Figura 1

A espiral, assim como as linhas delimitadas pelos quadrados, guia o olhar, e qualquer fotografia composta com ela pode despertar curiosidade e atenção extra ao assunto.

Simetria dinâmica

Derivada da espiral de Fibonacci, a simetria dinâmica é uma técnica de construção de grid que, ao longo dos anos, se tornou a forma padrão e mais conhecida com que fotógrafos, como Leibovitz e Deakins, utilizam a proporção áurea.

Para desenhar um grid dentro da simetria dinâmica, basta traçar uma diagonal de um canto ao outro do seu enquadramento. Depois disso, encontre uma reta que se origina em um dos cantos e intercepta a diagonal a 90º.

Figura 2

É fácil observar, apenas com essas linhas, como o grid se encaixa nas proporções da Espiral de Fibonacci.

Figura 3

A partir dessas duas linhas, e a adição de linhas horizontais e verticais, é possível construir um grid dinâmico, onde o olhar humano se sente confortável, se conecta e se perde nos elementos. Inclusive, é possível ver, ao observar um grid de simetria dinâmica, de onde veio a regra dos terços.

Figura 4

A diagonal que vai do canto inferior esquerdo até o superior direito é chamada de diagonal barroca. Ela está no sentido de leitura ocidental, e o olhar a segue naturalmente. Os pontos de intersecção entre duas ou três linhas são chamados de olhos, ou pontos de interesse, e os elementos colocados sobre eles se destacam.

É possível desenhar o grid em um pedaço de acetato e colocá-lo sobre o visor da câmera. Essa é uma forma simples de incorporá-lo ao equipamento. Se o fotógrafo em questão utiliza equipamentos sofisticados, como notebook Ryzen 7 e DSLRs de última geração, é mais do que certo que ele poderá desenhar o grid em um aplicativo de edição. A partir daí, basta imprimi-lo.

A melhor maneira de incorporar a técnica na fotografia, é claro, é memorizá-la. Prestar atenção nas possibilidades, na interação dos objetos, na forma como tudo pode se encaixar em um grid imaginário. Vale a pena mergulhar no assunto e treinar o olhar para usar a proporção áurea e a simetria dinâmica.

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