Fotografia cinematográfica: como as cores funcionam em uma narrativa visual

Um filme exige muitos elementos para funcionar, entre eles, as cores acabam se tornando uma das mais importantes

As cores estão dialogando conosco a todo momento, mesmo sem percebermos. Isso vale para várias coisas, desde uma logomarca até mesmo a composição de uma roupa, e por que não nos filmes?

Para compor um filme completo, é preciso pensar em várias coisas que convergem na forma como o diretor gostaria de contar a história. Isso inclui desde coisas básicas como o roteiro até mesmo a composição de cenários, que pode não parecer, mas fazem uma tremenda diferença.

Mas vamos com calma. Para entendermos essa parte técnica dos filmes, precisamos entender como as cores funcionam, e por isso, precisamos voltar ao básico, que são as cores primárias e secundárias.

Tecnicamente, as cores não existem, elas são somente percepções da nossa retina sobre um comprimento de onda específico. Ele é produzido através do choque da luz com um objeto, que o absorve e reflete em comprimentos de onda, e nosso cérebro identifica como cores.

A percepção de cor muda conforme a incidência ou não de luz, das cores que as acompanham, da movimentação de objetos e outras circunstâncias, fornecendo um caráter subjetivo para elas.

É importante lembrar também alguns conceitos: as cores primárias, com a forma pura do espectro, não possuindo nenhuma mistura; as secundárias, que são a combinação de duas cores que formam um novo tom; e ainda temos as terciárias, resultado da fusão de uma cor primária com uma cor secundária.

Existe também a classificação das cores quentes e frias. O primeiro grupo vai do espectro amarelo até o rosa, e o segundo, do verde ao roxo.

A combinação destas cores, o que chamamos de definição de paleta de cores, pode definir todo o tom de um filme. Isso porque cada cor pode transmitir uma sensação ou emoção específica, definindo um clima, ou até mesmo o estado emocional de um personagem dentro da trama.

Por exemplo, temos o vermelho, que pode tanto lembrar amor, quanto raiva; azul, que pode transparecer tanto solidão, quanto calma; e assim por diante. E isso não se restringe somente a cores primárias, mas todas as cores do espectro, sejam primárias, secundárias, ou até mesmo terciárias.

Elas, sozinhas, nem sempre funcionam tão bem, geralmente elas precisam estar em conexão a outras cores dentro da cena para transmitirem a sensação certa para aquele determinado momento do filme.

Por exemplo, vamos imaginar a cena de um jantar romântico, e precisamos mostrar um tom amoroso. Por isso, precisamos de velas, comidas e bebidas, um local relativamente pequeno, que permita que o casal divida o mesmo espaço de tela, e de fundo, uma cor que lembre muito o vinho tannat.

Para o contraste de cores funcionar, os protagonistas precisam usar cores neutras para entrar em contraste com o tom da cena, transparecendo exatamente o que o diretor quer dizer.

Mas as cores, se não estiverem bem colocadas em um filme, em excesso, ou não casando com o contexto da cena, podem levar a uma confusão por parte do espectador, ou até mesmo fazê-lo entender de forma errada, o que prejudica a potência da cena.

Saber o significado das cores dentro de um filme ajuda na interpretação de uma cena e do entendimento do filme como um todo, expandindo o seu senso crítico para todos os filmes.

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