Cris Motta: um olhar com autoria e sensibilidade na fotografia de família

Conversamos com a fotógrafa que vive na Florida sobre seu trabalho e a sua forma de criar imagens. Um trabalho artística sensível e tocante na fotografia de família. Cris palestrou no Family Summit em 2020 (evento online organizado pela FHOX). Nessa entrevista ela conta sobre a trajetória na fotografia, estilo e desse momento da carreira. Cris Motta (@crismottaphotos) • Fotos e vídeos do Instagram

FHOX – Como começou na fotografia?

Cris Motta – Meu pai fotografava nossa família sempre, em qualquer momento e eu quando dei por mim já levava uma câmera de filme para minha escola e fotografava meu dia a dia e de meus amigos. Fotografava as gincanas, olimpíadas e passeios.

Ao fim dos eventos eu revelava as fotos e com um caderno eu anotava para quem ia os negativos. Curioso eu lembro, que  muitos não se importavam muito em estar sempre nas fotos mas era uma briga para estar com os negativos e revelar as fotos depois.

FHOX – como define seu estilo? O que busca na fotografia?

Cris Motta – Minha linguagem surgiu junto com minha vontade de fotografar mas só se formou por completo quando estava mergulhada em meu trabalho autoral, onde fotografo o dia a dia das minhas filhas, Malu e Maria. Sempre me importei em viver o momento como se fosse acabar em qualquer instante e em tentar estar bem mesmo com os momentos difíceis que existem no caminho. Tento dar muito valor ao tempo que tenho e ser grata a Deus por tudo que ele tem me proporcionado e me apresentado.

Ao olhar mais para mim e para meu mundo me reencontrei e vi que a minha relação com o tempo, que está em constante movimento tem relação com o que enxergo e vivo a vida e é essa experiência que tento com minhas fotos passar para as pessoas.

Busco sensações e emoções  que a vida dá e nem sempre estamos prontos para sentir.

FHOX – como avalia este último ano de pandemia?

Cris Motta – É difícil falar de um momento tão doloroso para tantos e sei que tão produtivo para outros mas é a vida sendo vida e eu acredito que onde há dor tb existe um aprendizado, logo um crescimento e uma evolução.

As pessoas voltaram, muitas sentiram que estavam perdidas e agradeceram outras só sofreram, então não sei bem como falar sobre.

Para mim tive pessoas próximas sofrendo outras se encontrando em algo no trabalho ou na família.

Eu pude estar mais com elas ( Malu e Maria ) e assim desenvolver melhor e mais profundamente meu projeto das fotos borradas onde brinco com o tempo e seu movimento como se fosse pintura para parede.

FHOX – como é atuar nos EUA? Que diferença tem para o mercado brasileiro?

Cris Motta – Pelo que vejo o mercado Americano tem um lado mais comercial que emocional mas por enquanto me dedico ao meu projeto pessoal e penso futuramente em fazer algum trabalho voltado para as diferenças de nossas e outras culturas que aqui existem.

FHOX – o que espera para 2021? As coisas por aí estão melhorando…