Conheça o sensível trabalho do artista visual Kilian Glasner

Se você gosta de arte ou de fotografia, ou ainda de ambos numa mesma composição, com certeza irá apreciar o sensível trabalho de Kilian Glasner, artista recifense de 42 anos, que usa a fotografia como parte de sua arte.

Seu projeto mais recente, intitulado “Encontros Austrais” (recentemente exposto na Galeria Lume em São Paulo e suspenso no momento em razão da quarentena que todos nós temos vivido), motivou-o a desbravar o continente sul-americano, percorrendo uma jornada de 20.000 km de carro sozinho, ao atravessar cinco países da América do Sul. O título da mostra alude aos encontros que Glasner teve no decorrer da aventura.

Kilian Glasner

Kilian Glasner em sua jornada solitária pela América do Sul.


O artista visual conversou com Fhox para contar mais sobre sua trajetória, desenvolvimento e sobre seus trabalhos.

“Desde 2009 eu uso a fotografia como parte do meu processo criativo. Mas os resultados são principalmente desenhos, pinturas e instalações. A fotografia é o ponto de partida. A ferramenta que uso para registro e pesquisa”, explica.

Glasner começou a estudar fotografia no ano de 2000 durante sua graduação na Ecole Des Beaux Arts, de Paris, onde residiu de 2000 a 2007. Do período em que viveu na Europa destacam-se a residência artística na Academia Francesa de Artes em Roma, a Villa Médici, e mostras coletivas na França, Holanda e Itália. De de lá para cá, ele não parou mais.

“Fiz alguns trabalhos fotográficos na Cordilheira do Himalaia. Todos com câmera analógica, usando filmes cromo. Também fiz uma série de fotografias chamada “Rua do Futuro”, apresentada pela primeira vez no Itaú Cultural em 2009”.

O artista também foi premiado no 39º Salão de Artes Plásticas de Pernambuco, em 1999.

Kilian Glasner.

“Encontros Austrais” está em exposição na Galeria Lume em São Paulo. Painel: Kilian Glasner.


Encontros Austrais

Sobre o projeto “Encontros Austrais”, o qual está em exposição na Galeria Lume desde o dia 18 de fevereiro (com previsão inicial de ficar até 21 de março – prorrogada agora sem data ainda definida), ele conta que a ideia surgiu no início de 2019.

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“Meu desejo em conhecer as Constelações Austrais e de me aventurar em uma viagem sozinho para viver uma experiência de autoconhecimento foram minhas maiores motivações. Planejei uma viagem de carro passando por cinco países da América do Sul. Meu principal interesse eram as paisagens do continente. Tive que me preparar física e emocionalmente e isso se deu durante a viagem. Os custos foram altos, afinal, foram cem dias de viagem. Todo o trajeto eu fiz em carro próprio; levei três câmeras digitais e uma boa quantidade de cartões de memória”, relembra.

Ao ser questionando sobre a experiência vivida e as mudanças de um país para outro, bem como os desafios encontrados pelo caminho, ele é enfático ao dizer que “cada país tem características próprias” e que isso serviu para enriquecer sua pesquisa.

“Cada povo tem uma cultura diferente e apenas viajando de carro é possível perceber tais mudanças de comportamento. A viagem começou em junho, em pleno inverno. Isso foi um desafio. Eu seguia para o sul e as condições climáticas ficavam mais extremas. Passei muito frio em alguns lugares e as estradas também são muito perigosas no inverno devido ao gelo e a neve”, esclarece.