Como equilibrar estilo e negócios na fotografia de família?

Pode ser uma imagem de uma ou mais pessoas e gato

Meu nome é Rafaela Teixeira, mas todos me chamam de Rafa. Nas redes me apresento como Rafa Ela. Venho de uma família que se envolveu diretamente no mercado fotográfico por décadas. Meu pai é responsável pelos registros fotográficos de uma geração inteira na cidade onde vivemos: Lavras-MG. Estou há 3 anos vivendo exclusivamente de fotografia. Por muitos anos percorri outros espaços no mercado, trabalhei com vendas em concessionárias de veículos e estudei direito por acreditar que minha experiência como vendedora me faria uma boa advogada.

Esse plano quase se concretizou até que percebi que não levo jeito para convenções sociais extremamente rigorosas Hoje trabalho essencialmente com famílias, faço aniversários, eventos familiares, ensaio e casamentos. Utilizo da dinâmica e recursos da fotografia documental para realizar e apresentar meu trabalho. Gosto de dizer que minha fotografia é cotidiana. A proposta é trazer reflexões sobre os desafios de realizar um trabalho autoral no contexto da fotografia comercial pós pandemia. A pandemia afetou de um modo inédito o mercado fotográfico. Eventos e ensaios desmarcados, um colapso nas agendas de fotógrafas, fotógrafos e uma grande incerteza em relação ao futuro do mercado. Meu objetivo não é mostrar uma história de sucesso, mas sim, propor uma reflexão e abordar uma discussão acerca do futuro da fotografia de família no cenário intra e pós COVID-19.

Acredito que a fotografia de família vai ganhar muita força pós pandemia, pais, mães e filhos passaram mais tempo juntos que nunca, e não somente, a relação das pessoas com os lares se intensificou. Talvez, pós pandemia, a vida lá fora volte a ser como era antes, mas essa aproximação forçada devido ao distanciamento social deixará marcas e muita gente vai querer contar essa história com a fotografia. Agora falando de nós fotógrafas e fotógrafos, vivemos um ano atípico, pouco trabalho, pouca grana, pra muita gente as reservas foram se esgotando, muita gente vivendo à base de auxílio e bastante gente procurando outras maneiras de fazer dinheiro. Acredito que muitos aqui, assim como eu, iniciaram o 2020 com muitos planos, muitas ideias e com a certeza que seria um ano de crescimento profissional. Em março (de 2020) a mensagem foi dada: o desafio da profissão de fotógrafo seria muito mais difícil do que imaginávamos. Bom, estou dizendo tudo isso por quê? Acho que uma turma de sobreviventes e inquietos aproveitou o tempo livre da pandemia para mergulhar nos estudos, eu fiz isso. Mas confesso que foi por pouco que não digitei um currículo e distribuí por aí.

Em março do ano passado entrei em um grupo de estudos chamado Alfabetismo Visual e uma das primeiras lições que eu tive nas discussões que fazíamos lá foi:

Se você depende de do cliente te contratar pra pegar a câmera na mão e fotografar, você está no caminho errado

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Quando refleti sobre essa frase respirei aliviada, afinal, a fotografia é além da minha profissão o meu hobbie. E então eu digo pra vocês aqui o que eu acredito ser o primeiro ponto para que a gente consiga imprimir nosso estilo na fotografia de família que comercializamos: Praticar. Eu fotografo diariamente, às vezes com minha câmera e quase sempre com meu celular, gosto de pedalar e estou sempre em contato com a natureza, nesse processo estou sempre fotografando. Estamos o tempo todo com uma câmera na mão, é importante praticar. Não digo apenas para melhorar luz, composição… técnica… Com a prática desenvolvemos nossa percepção visual do mundo, o que nos atrai, quais cores nos atrai… para onde gostamos de apontar a câmera quando o resultado não tem compromisso com mais ninguém. Essa conexão resulta em um processo de autoconhecimento e inevitavelmente reflete positivamente no trabalho que executamos…. nas imagens que apresentamos. Se conhecer e se conectar com o que produz é essencial.

Um segundo ponto é: Buscar Referências. Conhecer fotografia, consumir fotografia, mas não se manter restrito aos fotógrafos da mesma área que você. Eu, por exemplo, sigo mais fotojornalistas do que fotógrafos de casamento. Estudar outros estilos, estudar outros momentos da fotografia é essencial. Estudar os processos desses fotógrafos também é essencial, afinal, o “como” e o “porquê” do artista muitas vezes ensina mais do que a obra finalizada. E vou além, as referências não se esgotam em fotografia, o cinema ensina muito ao fotógrafo, luz, narrativa, composição, cor. As artes visuais no geral são necessárias. O bom contador de histórias carrega na bagagem as artes, a música, a pintura, o cinema e a literatura. É a arte que conta a história do mundo, é com ela que devemos aprender a contar as nossas. Eu por exemplo gosto de acompanhar o trabalho de fotojornalistas e a Gabriela Biló é uma das fotógrafas da atualidade que mais admiro, ela fotografa para o Estadão e tem acompanhado o presidente. Outra referência é a Nayara Jinknss, paraense que tem uma fotografia extremamente humanista e faz um trabalho incrível na região do mercado ver o peso. O trabalho dela te faz viajar no tempo e espaço. Na fotografia de família eu trouxe uma foto da neozelandesa Niki Boon, que faz um trabalho magnífico com seus filhos mostrando a vida distante da tecnologia. E no cinema eu trago a referência recente do filme o Farol Robert Eggers, que tem uma fotografia intrigante, todo filma