Brasil Design Award anuncia finalistas e entre eles está um inovador produto fotográfico com impacto

O trabalho da fotógrafa e designer gaúcha Mariana Scheeren é um retrato sensorial para pessoas cegas que usa a tecnologia de impressão 3D para gerar o produto

Brasil Design Award é uma premiação com foco no reconhecimento e destaque ao design nacional e, a partir de 2021, passou a abrir para a participação gratuita de estudantes na categoria Design de Impacto Positivo. Foi justamente nessa categoria que a diplomada da UNIVATES (RS), a fotógrafa Mariana Scheeren é uma das finalistas. Ela desenvolveu um retrato sensorial que é impresso com impressora 3D. No caso, é o uso do design para que as pessoas cegas consigam “ver” os retratos. O produto de Mariana foi criado com orientação da professora Silvia Trein Heimfarth Dapper. Segundo informações do Portal Independente, o TCC de Mariana foi avaliado com a nota máxima pela banca avaliadora. Por justamente criar um produto fotográfico com sensibilidade e usando o design como metodologia na melhoria da qualidade de vida das pessoas com deficiência. Mariana disse para o portal: “Tanto o design quanto a fotografia são experiências que se relacionam com a vida e a história das pessoas, então resolvi unir tudo isso à minha grande vontade de ajudar o outro, desenvolvendo um quadro fotográfico com experiências táteis, visuais, auditivas e olfativas”.


Nota do editor (atualizada) – já abordamos a fotógrafa para uma entrevista e abaixo estão mais detalhes sobre o produto e sobre a carreira da fotógrafa e designer. Mariana acertou em combinar o design com seu trabalho de uma forma inovadora e com impacto social. Algo que é tendência e mostra uma causa clara que vai muito além só do que a fotografia.

FHOX – Por que criou esse projeto?

Mariana Scheeren – O Retrato Sensorial é a materialização de um grande sonho: unir o design e a fotografia. Além disso, sempre acreditei no poder de ajudar o outro. Eu, enquanto fotógrafa, sempre carreguei comigo o propósito de materializar as memórias afetivas das pessoas em forma de registros fotográficos. Assim como eu, enquanto estudante de Design, cada vez mais entendia o quanto o Design é um grande facilitador para a humanidade. Tanto o design, quanto a fotografia se tratam de experiências que se relacionam com a vida e história das pessoas. Acredito que todos somos merecedores de termos nossas histórias registradas, com todos os sentimentos que às pertencem.

A ideia surgiu há alguns anos atrás, durante uma disciplina de Projeto, na faculdade Design.

Quando chegou o momento de fazer o meu Trabalho de Conclusão de Curso, ainda tinha dúvidas sobre o tema, mas tive o total apoio da minha orientadora, Silvia Dapper, que não me deixou desistir desse projeto.

A ideia inicial era apenas desenvolver a impressão 3D de uma fotografia, mas eu queria ir além. Estudei minuciosamente sobre a fotografia, enquanto documentação histórica pessoal, técnicas de manufatura aditiva (conhecida como impressão 3D) e após muita pesquisa, cheguei à conclusão de que apenas uma foto impressa 3D não seria suficiente para mim. Assim nasceu a ideia de montar um quadro, fazendo referência àqueles retratos pintados, usados como decoração em casas, ou até palácios (por isso o nome, Retrato Sensorial). Mas eu tinha estabelecido um público alvo: deficientes visuais, e para atingir as necessidades desse público, além de estudar a deficiência em si, fiz entrevistas com pessoas que incluem diversos graus da deficiência, para, além de tudo, compreender a relação dessas pessoas com a fotografia. E assim eu percebi que a fotografia não faz o mesmo sentido para eles, do que para nós.

Após as entrevistas, eu entendi que, quem vê é privilegiado, principalmente quando trata-se de lembranças. Sabemos que a memória pode falhar um dia, e por isso nós fotografamos, registramos e guardamos os nossos momentos. Mas e quem não vê? De que forma pode acessar as suas memórias? E esse foi o questionamento que me fez intensificar todo o processo criativo e ir além na minha criação.

Assim eu decidi criar, no quadro, uma experiência extremamente sensorial, envolvendo tato, audição, aroma e, para os videntes, a visão. O Retrato Sensorial se trata de um quadro inclusivo. Foi projetado para pessoas cegas e não a Deficientes visuais, em geral, pois para atingir os demais graus dessa deficiência, seriam necessárias adaptações de contraste. Mas ele não é exclusivo aos cegos, pode ser experimentado e fruído por qualquer pessoa.

O Retrato Sensorial é produto que proporciona uma experiência fotográfica e sensorial, incluindo a imagem impressa tridimensionalmente, descrição em braile e acesso à audiodescrição da imagem, a partir de um código QR e também um sistema de aproximação, conhecido como NFC (como usado nos cartões de crédito atuais). Além disso, a peça possui um aroma de afeto, baseado na aromaterapia.