As tribos da fotografia existem, mas não do jeito que você imagina

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Fotos: Pexels


Começo com uma provocação: qual é a sua tribo da fotografia? Você é newborn, casamento, família? faltou algo? Você se sente representado e “apresentado” completamente dentro do seu “nicho” de atuação?

Tribos como conceito de negócio são interessantes para marcas, congressos, conteúdos e canais. Já tribos como causas essas sim são mais poderosas e raríssimas. O autor Seth Godin escreveu o livro “Tribos”. Ele abordou que uma tribo não nos pertence. Ela se auto ajuda, mas tem uma missão coletiva. Na visão dele, as tribos podem funcionar se você criar uma base com sua história (uma plataforma) para que você possa criar a conexão e provocar uma mudança. É a chance de você explicar que é uma pessoa como nós. Que suas ações levaram a uma mudança. Daquelas que podemos ouvir, ver e entender. Depois ele destaca a força da nossa história. Esse é o núcleo da tribo. O que nos torna iguais? por que devemos nos importar? Como gerar empatia? Essa parte é muito importante pois a nossa história é sobre estarmos juntos e com benefícios do grupo. E por último a história do agora. É aqui que está a grande mudança. Uma forma de dar uma guinada. Godin traz a importância de unir as partes da história de cada um até o ponto da virada com a transformação. Um exemplo: em algum momento na história da fotografia uma mulher começou a fotografar. Quando só homens fotografavam e outras mulheres queriam fazer o mesmo. Uma história em comum, uma história de cada um e uma transformação. Isso vale para outras grandes mudanças. Aquelas que mudam tudo no mercado e na vida das pessoas.

A sua história.

A nossa história.

A história do agora.

O curioso no conceito do livro (best-seller) é a força da tribo mesmo quando o grupo é pequeno. A lealdade e a causa são fortes e podem inspirar mudanças e atrair novas pessoas. O líder pode e deve existir para liderar o processo. Mas o que o Godin trata é da tribo puxada por uma ideia. E de quem um negócio deve criar ou abraçar essa causa. Acreditar no que você faz, errar e ajustar, persistir e buscar o crescimento pela crítica. Ouvir aliás, para a causa funcionar e o movimento ocorrer é fundamental.

Foto: Seth Godin


Logo, notamos que hoje as tribos estão bem distantes dessas possibilidades descritas pelo livro. Elas só são reais e efetivas quando provocam uma mudança de comportamento. Trazem um mercado movimentado por elas. Criam e mudam formas de consumir. Fazem isso em grupo. Importante: segundo Godin, é a manipulação que mata uma tribo. O que funciona é quando existe uma causa com pessoas que compartilham interesses, objetivos e idioma (linguagem). Importante: uma hora a tribo morre se a causa não for alimentada com novos desafios.

Seth Godin Tribes Archives | Client Centric Marketing
Tribo – grupo de pessoas com ocupações ou interesses comuns, ou ligados por laços de amizade.

A fotografia profissional é uma causa única. Afinal, o fotógrafo trabalha solo e se relaciona em pequenos grupos. Daí a chamarmos essas turmas de tribos é um exagero retórico. Por outro lado tem a “tribo” (turma) de fulano de tal e por aí vai. São definições e usos distintos. A turma se ajuda e se indica, mas não muda comportamentos e nem orienta grandes mudanças mercadológicas. Imagino que você já pensou no termo “panelinha” porque realmente ele também se aplica nas linhas anteriores. Estamos de acordo então que as tribos são meras palavras vazias? Pois cada vez mais me parece que funciona bem como forma de explicar encontros de colegas e vantagens em indicações de trabalhos, camaradagens, troca de informações e favores. Dessas existem aos montes e são a média do mercado. Esse tribalismo é a regra do que vemos por aí. Sem julgamentos quanto a utilidade disso pois é questão de sobrevivência e influência. Ma