A importância do fotojornalismo no combate ao desmatamento da Amazônia

Como o registro de paisagens abusadas pode causar o impacto necessário para a conscientização dos problemas socioambientais da floresta amazônica 

O desmatamento da Amazônia é um problema social de constante agravamento e de difícil solução. A cada ano, os meios de comunicação se desgastam e se torna maior o desafio da conscientização. Neste contexto, a fotografia de cunho ambiental se torna uma ferramenta valiosa.

Considere a frase “uma imagem vale mais do que mil palavras”. Ela está inserida na cultura popular e é frequentemente utilizada para exemplificar a instantaneidade com que a informação pode ser passada por meio de mídias visuais.

Considerando mil palavras o suficiente para uma matéria jornalística modesta, a fotografia de cunho ambiental pautada no desmatamento da Amazônia se torna importantíssima na luta contra o avanço de atividades ilegais que degradam a região, que é considerada patrimônio mundial.

No dia 17 de julho, será celebrado em todo o território nacional o Dia de Proteção Às Florestas. Nesta data, o trabalho de fotojornalistas dedicados ao registro da Amazônia se torna ainda mais relevante e tem a chance de ser compartilhado e exposto.

Fotojornalistas como Victor Moriyama, de São Paulo, se dedicam ao registro das queimadas realizadas a fim da execução de atividades ilegais como garimpo e extração de madeira para importação. O vermelho do fogo e a fumaça por entre as árvores em chamas é mais do que o necessário para chamar a atenção de quem observa as suas fotos.

Isso porque, quando se fala na Amazônia, a primeira imagem que vem à mente do brasileiro é a floresta tropical, cheia de encanto e riqueza. Raramente se lê “floresta amazônica” e se pensa em devastação.

A fotografia tem o poder de captar as imagens escondidas no desconhecimento e que não têm o impacto necessário quando descritas na forma de apenas texto.

Outros registros como os do amazonense Christian Braga se dedicam a expor o lado humano do problema. Durante a pandemia da Covid-19, o fotógrafo fez registros dos povos amazonenses ameaçados pelas atividades ilegais de garimpeiros, grileiros e madeireiros.

As violações e invasões de território se intensificaram durante a pandemia, usufruindo das complicações que ela trouxe aos povos locais, que sofreram grandes baixas no período.

Para o fotógrafo e fotojornalista dedicado às causas sociais e à conscientização do que acontece no país, o olhar deve estar afiado e preparado para capturar do mais belo ao mais horrendo.

O uso das cores vermelhas em um contexto em que o verde deveria ser mais proeminente, o registro de campos vazios, terras áridas cheias de sulcos, rostos e expressões, todos estes são valiosos na composição de fotos que contam histórias.

E mesmo que o foco ainda seja o problema do desmatamento, o registro do verde, das paisagens paradisíacas, das espécies e dos povos em risco também é valioso. Quanto mais belas as fotografias, maior o estímulo a quem deseja proteger as paisagens.

Aos fotógrafos que desejam conhecer de perto a Amazônia, vale a viagem, seja ela a trabalho, para pesquisa, de ônibus ou aproveitando passagens aéreas em promoção. É aconselhada a companhia de colegas mais experientes, guias e outras figuras de conhecimento.

Cada registro tem sua importância, e juntos, todos podem fazer a diferença ao contar histórias que raramente são contadas.

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