A ideia de produto com fotografia de Marina Gallegani

A fotógrafa Marina Gallegani de Divinópolis (MG) pensou em uma revista para contar a histórias dos clientes. Ela conversou com a FHOX sobre os desafios do momento e de como desenvolveu sua ideia Marina Gallegani é apaixonada por fotografia e pelas palavras. Talvez por isso a ideia de uma revista que une fotos e textos para contar a história das famílias faça muito sentido. A fotógrafa falou da carreira, dos desafios e da bela ideia dessa revista com fotos com toques de muita sensibilidade e talento. Confira.

FHOX – Como começou na fotografia? 

Marina Gallegani – Comecei na fotografia quando ainda estava cursando a faculdade de Jornalismo, através da disciplina de fotojornalismo. Mas, na época, estava muito focada em escrever, então me contentava em registrar entardeceres que pareciam pinturas, meus amigos personagens e gatos mortos. 

Certo dia, o cartão bugou, e pensei que a câmera tinha estragado. Enfiei ela dentro da caixa, decidida de que minha vida seria só pelas palavras, apesar de já saber que queria trabalhar com imagens. Anos se passaram e, enquanto eu aceitava meu fracasso como best-seller, a vida aconteceu.

Fui incentivada a investigar as circunstâncias da tal falecida câmera, que se mostrou em perfeito estado; foi só trocar o cartão. Nessa época eu estava desempregada, tentando trabalhar como maquiadora (eu já sabia que queria pintar, só confundi o jeito rs).

Mais um fracasso realizado com sucesso. Tão fabuloso que me fez largar essa bobagem cartesiana e ir atrás do que sempre ferveu dentro de mim. Então aí eu entendi: era para pintar com a Luz, Marininha!

FHOX – que avaliação faz da pandemia para seu negócio? E como se adaptou…?

Marina Gallegani – A pandemia chegou dando voadora já no início da minha carreira como fotógrafa. Cheia de aniversários e eventos marcados, com aquela empolgação fascinante, quando de repente, o susto. Confesso que, no fundo, no fundo, até gostei no começo. Já que o planeta inteiro estava enclausurado, era como se eu não precisasse mais correr contra o tempo. Mas que tempo era esse? Uma grande piada.

Fui para a roça da minha sogra e lá me isolei durante um bom tempo; sim, tive este privilégio. Enquanto dava início aos meus estudos de forma mais séria, mas sempre sem foco, me adaptei aceitando a situação e fazendo o melhor com o que tinha disponível ao meu redor: estreitando os laços com as pessoas, com a natureza, com o respiro, o silêncio… sempre com a câmera.

E é isso: mais um ano de estudos intensos. A esperança é de quando a vacina chegar, os trabalhos voltem pipocando para nós, fotógrafos(a)s brasileiro(a)s.

FHOX – conte sobre o produto e como desenvolveu essa ideia.

Marina Gallegani – Essa revista veio como um lampejo na minha mente, daqueles insights incríveis que elevam o humor. Estava revendo algumas fotos antigas da minha família, quando me deparei com um retrato meu em uma capa de revista. Foi como se eu tivesse, naquele exato momento, revisitado o passado. 

Lembro direitinho da moça me maquiando e eu me sentindo toda especial, com aquela roupa cafona e brincos de coração dos anos 80. O fotógrafo ia na escola, pendurava um pano azul na parede, emperiquitava as crianças, vendia a foto com a aparência de capa de revista e ganhava uma boa grana com isso!

Genial. Por que não materializar essa ideia na contemporaneidade? Por que não fazer uma revista impressa, mostrando a cobertura completa da festa/ensaio do cliente, contendo entrevistas com eles e os convidados, melhores momentos, fotografias que não seriam entregues, enfim: toda uma história contada, em forma de revista!

É o primeiro produto que crio na fotografia, graças ao curso maravilhoso do Leo Saldanha. Ver os colegas de trabalho apresentando coisas tão lindas me deu o impulso que precisava para colocar tudo em prática.

Foi difícil. Minha primeira diagramação, que peleja. Sou irritantemente detalhista e isso faz com que tudo demore mais. Mas a sensação de ver uma ideia sua transmutada em algo material é incrível, e já estou viciada.

FHOX – a importância de criar junto com o cliente como tem sido?

Marina Gallegani – O grande lance de criar junto com o(a) cliente é que ele(a) mostra o que você precisa fazer, dá tudo mastigadinho. A primeira coisa que fiz quando tive a ideia da revista foi contar para minha cliente mais querida, mostrando minha própria foto quando criança como referência. Ela amou, ficou doida, e era isso o que eu precisava, do seu aval.