Variedades 1 mês atrás | Redação

Sobre preciosismo fotográfico e significado

Após o comentado e controverso álbum de gestante divulgado por Beyoncé, a fotógrafa Camila Vedoveto reflete sobre o significado das imagens

por Revista FHOX
Beyoncé (18)Reprodução

Decidi começar a escrever por aqui com uma polêmica, já que no momento não se fala em outra coisa a não ser as tais fotos do ensaio de gestante da Beyoncé. Elas foram extremamente criticadas nas redes sociais e, para espanto de muitos, por diversos meios que falam de fotografia e arte.

Os motivos por trás de todo essa polêmica está nas cores usadas, na produção, no conceito e até mesmo na exposição dos bastidores (como o fundo infinito aparente em uma das fotos). Inclusive, chegaram até mesmo a questionar se de fato ela não haveria publicado as fotos sem passar pelo tratamento.

Isso tudo remete a uma questão da fotografia ser Simulacro do Real (lembrando o mito da caverna de Platão, fotografia é cópia da cópia do real). Deveria ela tentar iludir perfeitamente quem assiste para ser considerada “boa arte” ou será que estamos muito acostumados à perfeição que o tratamento/técnica da imagem pode alcançar e deixamos o conceito um pouco de lado? Ela pode ser algo diferente do ideal ou será que as flores de plástico e os tripés aparecendo deixam de encantar?

Beyoncé (16)Reprodução

O “certinho” e o belo certamente devem ficar em segundo plano quando o conceito da obra significa. Isso é maior que qualquer regra dos terços ou fotometria e certamente vale para levar o que fazemos para o outro nível: do ser e do sentir!

Outra polêmica que lembra bastante isso tudo é a recente sobre a imagem de Cartier-Bresson. A imagem, quando colocada em um fórum pelo fotógrafo André Rabelo e desconectada do nome de seu autor, foi amplamente criticada: considerada fora de foco, tremida, com ruído em demasia, escura demais e outras barbaridades.

henri_cartier_bresson_bicycleHenri Cartier-Bresson

Voltando as imagens do ensaio em questão, são de autoria de Awol Erizku, de Nova Iorque, com inspiração no Kitsch e no Ready Made e releituras de imagens de arte consagradas no imaginário, passam agora a questionar raça e história.

Algo semelhante ao que Duchamp fez com o seu “objet trouvé”, colocando um objeto de uso ordinário como objeto de arte em uma atitude anti-arte e anti história que questiona os pilares de uma obra: como a artesania e o belo!

Tal feito possibilita retomar o problema da arte, que ultrapassa qualquer questão de técnica, artesania ou beleza. E para nós, fotógrafos, pode significar que arte é exercício de liberdade e nos permitir, talvez, ultrapassar o ordinário!

Sobre Camila Vedoveto

Fotógrafa pelo Visual Arts Center da Virginia e pelo Atelie da Imagem e historiadora da arte pela UFRJ, busca o encontro dessas duas áreas: arte e fotografia em minhas pesquisas, trabalhos autorais e também comerciais.

Camila trabalha com fotografia de família e tudo que engloba esses momentos: casamentos, gestação e newborn. A fotógrafa, nascida em Parapuã, no interior paulista, tem um estúdio em Primavera, no leste do mato Grosso.

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