Entrevistas 4 meses atrás | Laís Fernandes

Fotógrafo de viagens, Paulo del Valle fala sobre carreira e Instagram

"O Instagram me tornou quem sou hoje e tenho aproveitado cada segundo disso", Paulo del Valle

por Revista FHOX

Com mais de 330 mil seguidores no Instagram, o fotógrafo Paulo del Valle é um dos destaques brasileiros no aplicativo. Com qualidade e criatividade, o carioca de 27 anos viaja o mundo registrando os lugares que conhece, compartilhando a cultura e a beleza dos mais variados cantos do mundo. Em conversa com a FHOX, Paulo conta sobre o início de sua carreira, suas experiências e sobre o uso do Instagram e suas vantagens. Confira:

paulo-del-valle-4Paulo del Valle/Instagram

1. Em sua opinião, qual a importância das redes sociais hoje em dia? Você vê o Instagram,
por exemplo, mais como um meio de divulgação do trabalho dos fotógrafos
profissionais ou como um novo nicho de mercado?
Eu vejo as redes sociais como a melhor forma de um fotógrafo divulgar seu trabalho hoje em
dia, principalmente o Instagram. Antes, fotógrafos tinham que publicar suas fotos em seus sites
e torcer para que as pessoas encontrassem através do Google, por exemplo. Hoje, é uma
realidade totalmente diferente, em que facilmente você pode encontrar diversos fotógrafos
através de hashtags, da própria aba “Explore” do Instagram ou através de um repost de
alguém.

Além disso, o Instagram é sim um novo nicho de mercado e acho que sou uma prova disso. Eu
não era fotógrafo antes de começar a usar a rede social e ela acabou mudando a minha vida.
Foi através dela que consegui todos os trabalhos que fiz hoje, sem exceção. Por isso, acho que
todos fotógrafos tinham que usar a rede para mostrar seu potencial, pois muitas marcas e
agências do mundo inteiro estão a todo momento buscando talentos.

paulo-del-valle-3Paulo del Valle/Instagram

2. Como você começou na carreira? Você planejou trabalhar com ferramentas como o
Instagram ou aconteceu naturalmente?
Minha carreira começou por causa do Instagram. Antes disso tudo, eu estudava Design na PUC-Rio e não fazia ideia de como tirar fotos. Lembro que tive aula de fotografia no primeiro semestre da faculdade e não gostei muito, pois não tinha nenhum interesse. Seis meses depois, o Instagram foi lançado e vi ali algo interessante, pois me incentivou a tirar fotos com o meu celular. O melhor de tudo era que pessoas do mundo todo podiam ver o que eu estava fotografando. No começo as fotos eram péssimas, pois eu fotografava coisas aleatórias, como pedras, folhas e céu. Com o tempo eu fui melhorando e resolvi mostrar o Rio de Janeiro com meus olhos. Dali pra frente foi só melhorar a técnica, estudando por conta própria, e o sucesso no Instagram foi consequência disso.

3. Qual seu conselho para quem está começando? Qual a principal dificuldade para se
tornar conhecido e lucrar com isso?
Muitas pessoas me perguntam isso e eu falo pra elas exatamente o que eu fiz. Eu acho que o
segredo de tudo é começar fotografia por amor e não dinheiro ou sucesso. Eu comecei a usar o
Instagram pra valer porque eu gostava muito daquilo. Mesmo quando eu tinha mais de 200 mil
seguidores e ainda não fazia dinheiro com isso, as pessoas me perguntavam se eu não pensava
em fazer dinheiro com aquela oportunidade. Eu respondia que isso não passava pela minha
cabeça e eu fazia aquilo por amor. Acho que quando você faz com amor, você faz muito bem e
o sucesso é apenas consequência.

Eu entendo que eu comecei a usar o Instagram no seu “boom” e que hoje em dia é muito mais
difícil crescer. Mas a verdade é que número de seguidores não é tudo. O que vale é a qualidade
do trabalho. Número de seguidores só é válido para quem trabalha como “influenciador”, mas
criadores de conteúdo podem ter poucos seguidores, só basta mostrar que tem um trabalho incrível e criativo. Mas isso não significa que as pessoas devam desistir de ganhar seguidores,
pois isso também tem valor. Por isso, é importante postar com frequência somente o seu melhor, interagir com os seguidores respondendo comentários e também curtir fotos de outras pessoas e interagir com elas. Essa é a única maneira de se ganhar seguidores hoje em dia. As pessoas têm que ir atrás.

Untitled-1Paulo del Valle/Instagram

4. Você se vê como um digital influencer? Se sim, qual ponto você destaca como crucial
para sua carreira?
Sei que eu influencio um grupo de pessoas, mas não todos que me seguem. São especialmente as pessoas que se interessam mesmo por fotografia e viagem. O que eu indicar do mundo da fotografia ou viagem, essas pessoas vão acreditar na minha palavra e levar aquilo em consideração, já que eu entendo do assunto. Mas se falasse de algo que não tem nada a ver com esses assuntos, como uma roupa, por exemplo, não sei se eu influenciaria tanto. O caso já é completamente diferente pra uma blogueira de moda, que grande parte das pessoas que a seguem se interessam por aquilo. Muitas pessoas me seguem porque gostam de fotos bonitas do mundo todo, mas isso não significa que elas se interessem pela arte da fotografia. Mas claro, existem certos tipos de produtos, como celulares, que interessam a todos e se enquadram em fotografia. Por isso, sou um influenciador pra um certo grupo de pessoas e depende muito do que estou falando para elas.

paulo-del-valle-2Paulo del Valle/Instagram

5. Que responsabilidade você acha que carrega por ser o primeiro instagrammer
brasileiro? Você acha que seu trabalho é mais visado e mais cobrado por isso?
Não diria que tem uma responsabilidade, mas sei que tem um grande impacto em muitos jovens fotógrafos, que se espelham muito em mim para seguir o mesmo caminho. Eu vi a oportunidade de ser o primeiro instagrammer e resolvi me tornar um na hora, sem nem pensar. Saí da empresa que eu tinha começado 3 anos antes com meus amigos da faculdade e resolvi seguir isso em tempo integral, como minha única fonte de renda.

Cursei Design por 5 anos e sabia que quando eu acabasse a faculdade, não tentaria emprego como designer, pois tinha esse plano a seguir. Sei que foi um grande risco, mas que valeu muito a pena pra mim. Eu não acredito que meu trabalho seja mais visado ou cobrado por isso, pois poucas pessoas sabem dessa informação. Ainda mais o cliente ou agência, que me descobrem sem querer no Instagram e não sabem de toda a história. O que conta mesmo é a qualidade do trabalho e a minha habilidade de contar histórias.

6. Em sua opinião, qual a principal diferença entre você, que é fotógrafo profissional, e os
demais instagrammers?
Eu não me acho diferente ou melhor que ninguém. Infelizmente, o número de seguidores conta muito para muitas empresas e sei que isso me coloca em um grupo seleto, mas acho que as empresas e agências não tinham que focar só nisso. Até porque tem muita gente que compra seguidores e tem um engajamento baixo. O mais importante é ter um excelente trabalho e um bom engajamento, com muitos likes em relação ao número de seguidores.

Vamos supor uma pessoa com 5.000 seguidores e mais de 3.000 likes por foto. O engajamento
dessa pessoa é incrível. Ela tem mais poder de alcance que muita gente de mais de 100 mil
seguidores, mas tem muita empresa e agência que não entende bem e foca no número errado.
Eu diria que a maior diferença é que eu não foco somente em tirar boas fotos, mas também em
contar histórias através das legendas dos posts. Isso é muito importante também para marcas,
pois elas precisam que você saiba escrever sobre qualquer coisa que eles venham a te pedir.
Não só isso, mas também abre a possibilidade de conversa com seus seguidores, que podem
comentar sobre o que você escreve.

paulo-del-valle-5Paulo del Valle/Instagram

7. Em relação a equipamentos, qual você usa para fotografar? Se for câmera, porque não
o uso dos smartphones?
Eu uso duas câmeras pra fotografar, uma profissional e uma semi-profissional. A minha câmera
profissional é a Sony Alpha A7R II e a minha semi é a Canon 6D. Eu gosto de fotografar com celular e desse desafio da fotografia mobile, por isso criei uma conta separada no Instagram só
pra isso, que é a @paulo_delvalle. No momento uso um iPhone 7 Plus e acho ele muito bom,
principalmente para a função “Retrato”. Existem poucas fotos tiradas com iPhone no meu perfil
principal, porque busco postar o meu melhor e quase sempre ele não foi feito com um celular.

paulo-del-valle-7Paulo del Valle/Instagram

8. Você usa algum site de edição de fotografias ou os próprios filtros do Instagram?
Eu uso o Adobe Lightroom para editar as minhas fotos. Muitos me perguntam se uso presets, pois minhas fotos se parecem muito, mas não uso. Eu não gosto muito de presets pois acho que cada foto é um caso, com situações diferentes de luz, que merecem um tratamento diferente cada. Por isso, edito todas manualmente, sem presets e filtros. Depois que eu as
edito, às vezes testo alguns presets do VSCO pelo próprio aplicativo de celular deles, pra ver se dá alguma mudança na cor ou contraste que eu acabei não pensando na hora de editar. Eu não uso os filtros do Instagram e não sou muito fã deles. Eu recomendaria o VSCO para as pessoas que gostam de usar filtros/presets em suas fotos.

9. Você acha que o Instagram tem uma ‘data de validade’? Faz planos para um futuro em
médio prazo? E sobre a fotografia impressa, você acha que vai acabar?
Se o Instagram tiver uma data de validade, essa data está bem distante ainda. Mas uma coisa é
verdade: eles precisam melhorar muito e precisam de um concorrente, pois estão muito confortáveis onde estão, sem ligar muito no feedback dos seus usuários. Se importam mais em
criar novas funções do que consertar os problemas do aplicativo.

A nova mídia do momento é o vídeo. Por isso o YouTube tem crescido tanto recentemente e o Instagram está fazendo de tudo pra se tornar também uma rede de vídeos, mas estão longe de fazer isso bem. Por isso, meu plano pro futuro é focar em produzir vídeos e acho que todos deveriam fazer isso. Claro, a fotografia não vai morrer, mas ela vai perder muita força. Acho que cada vez mais as empresas vão querer vídeos, porque será a coisa do momento.

paulo-del-valle-1Paulo del Valle/Instagram

Em relação a fotografia impressa, não sei bem o que vai acontecer, mas se pegarmos como
exemplo a mídia impressa, que está morrendo com a internet, pode ser que aconteça o mesmo com a fotografia. Não por causa da internet, mas por causa da tecnologia que cada vez mais se desenvolve e cria novos displays mais finos a cada ano. Pode ser que muito em breve o jornal vire uma tela na espessura de um papel, só que você não joga fora todo dia. O mesmo pode acontecer com fotos impressas e quadros nas paredes. Talvez eles sejam apenas displays OLED, ou alguma outra tecnologia, muito em breve.

10. Para finalizar, você já conheceu vários lugares do mundo. Qual seu favorito? Tem
alguma história/cultura que te marcou?
Essa é uma das perguntas mais difíceis de responder, acredita? Já conheci tantos lugares e me
apaixonei por vários, por suas próprias características. Por exemplo, a cultura japonesa me encantou e me faz querer voltar muitas vezes para lá. As belezas naturais de países como Canadá, Nova Zelândia, Austrália, Jordânia e outros me fazem querer voltar também. Assim como incríveis cidades antigas ou históricas como Jerusalém, Paris, Roma e Londres. São muitos lugares sensacionais e fica difícil dizer o meu favorito. Sempre tenho que separar por casos.

paulo-del-valle-8Paulo del Valle/Instagram

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