Por Felipe Tazzo
Felipe Tazzo é profissional de marketing, produtor executivo consultor de carreira artística desde 2005, e ainda escritor e segundo fotógrafo de Denise Maher. 

O artista e sua torre de Babel

Felipe Tazzo fala dos desafios da vida do fotógrafo autoral e a desafiadora trajetória para conquistar os objetivos

por Revista FHOX Publicado há 1 semana atrás | por Felipe Tazzo

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Arte, em si, não é algo simples prático e rápido. É uma longa e dedicada carreira, na qual tudo vale: estudar os mestres, experimentar o desconhecido, fracassar gigantescamente, se arrepender, começar de novo… Todo esse percurso faz com que um dia o fotógrafo domine uma linguagem e venha até a ter domínio de uma linguagem própria, ou o seu estilo próprio.

E olha que para desenvolver sua própria linguagem, é preciso passar por diversas possibilidades.

Mas infelizmente, ao artista hoje não basta dominar sua linguagem.

Todo artista, fotógrafo ou outra vertente qualquer tem uma longa e desafiadora carreira pela frente e infelizmente, essa carreira envolve muitas áreas de conhecimento que destoam bastante da arte.

Muitos poucos episódios na história do mundo favoreceram as artes. Já houve marchands, produtores, editores, galeristas, curadores e até críticos trabalhando com afinco em favor das artes.

Hoje, infelizmente, esses esforços tem sido cada vez menores. Gravadoras perderam brutalmente espaço no mercado da música e as plataformas de streaming que – de um jeito bizarro – ocuparam esse espaço não estão formatando a carreira do artista para o mercado. Há um lado bom nisso. A arte não está mais subjugada ao que executivos podem achar que talvez esteja quase quem sabe formando uma modinha. Mas por outro lado, quem é que vai ler contratos? Quem é que vai negociar e controlar as vendas dos discos (enquanto eles ainda existem)?

As artes visuais nunca foram um mercado tão intenso e vibrante quanto a música. Mas sempre houve galeristas e marchands interessados em encarar a burrocracia de abrir uma empresa, emitir uma nota fiscal.

Para a fotografia, esse espaço sempre foi ainda menor e o pouco que ainda existe, tende a zero. Apaixonados pela arte não faltam no mundo. Os bem intencionados que querem dar aquela força a sua carreira também não.

Mas nenhum deles está muito a fim de ler um contrato ou controlar as vendas.

Aí é que o artista precisa dominar uma linguagem nova. Aliás, várias. Ler ou escrever um contrato pode ser um saco. Mas é inevitável, a não ser que você confie cegamente em todo mundo, o que para um fotógrafo não é uma boa característica. Juridiquês é uma droga, chato, desnecessariamente enrolado e, infelizmente, inevitável.

Também é o que acontece com a linguagem dos editais e leis de incentivo. É um dialeto torpe derivado do juridiquês e ainda mais repetitivo. Mas, novamente, inevitável. Em algum momento na sua vida você ter que encarar um formulário de prêmio, bolsa, concurso e afins.

Infelizmente, as más notícias não param por aí. Existem outras linguagens que podem fazer toda diferença na capacidade de sobrevivência do artista no Brasil, como por exemplo o marketing, o marketing digital e até a temida e proibida linguagem das vendas.

Mas ao menos, não é preciso dominar todas as línguas. Com um pouquinho de boa vontade e paciência, dá para se virar e colocar a carreira no rumo certo. Tipo, sabe portunhol? Então.

A cultura do Vale do Silício colocou em perspectiva essa questão de ser um especialista ou generalista e conhecer diversas linguagens de uma maneira bem legal. Argumentam eles lá na gringa que o conhecimento tem que ser em formato de T. Você precisa conhecer um pouquinho de tudo o que tange o seu trabalho (marketing, vendas, marketing digital, projetos, administração de empresas, finanças, etc, mas se aprofundar mesmo em apenas uma coisa.

Ainda bem que essa uma coisa ainda pode ser a fotografia autoral. Ufa!

 

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