O sonho de um negócio na fotografia

A fotógrafa Lidi Lopez trabalha com pesquisa de satisfação ao final das sessões e em breve terá um sistema de CRM

por Revista FHOX Publicado há 10 meses atrás | por Leo Saldanha
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FHOX RS. Os estúdios gaúchos seguem inspirando o Brasil todo

Em 2003 fizemos um especial rodando estúdios gaúchos. Naquela época era um dos poucos estados com estúdios de retratos voltados para famílias. Acho que nunca vou esquecer da visita ao Studio 7, uma operação gaúcha com 80 sessões por dia.

De lá para cá, Caxias do Sul segue a capital dos estúdios do Brasil, a diferença é que hoje vemos formatos parecidos espalhados pelo país. Muitos, inclusive, inspirados nos cases de estúdio do Rio Grande do Sul. De fato, tivemos um salto na quantidade. Passamos de mil até poucos anos atrás para uns cinco mil e a quantidade que segue crescendo. Muitos desses pontos inclusive vem com impressão. Com direito a foto na hora e alguns atuam com reportagem.

São negócios que movimentam toda uma indústria. De impressoras até câmeras, na geração de empregos e que fazem de tudo para puxar o ramo para cima.

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Aqui nesse ponto uma pausa para relembrar as conversas com José Mauro Batista em suas muitas visitas aqui na FHOX e nas conversas em eventos de fotografia. Zé Mauro morreu em 2013. Ele foi um dos grandes especialistas sobre o assunto e deixou um legado com valores claros sobre o negócio.

Para ele, 80% do sucesso de um estúdio de retrato não tinha relação direta com fotografia. Na visão dele, os processos, a ciência do marketing e mecânicas claras do atendimento e promoção geravam o fluxo e vendas. Só depois de tudo isso é que daria para encaixar os 20% restantes na conta do estilo fotográfico.

Os fotógrafos não costumavam curtir essas máximas, embora devessem, afinal, ele ajudou a formar uma base de mais de mil estúdios de retratos com enfoque massificado em várias partes do Brasil. Talvez no fundo, o que ele queria dizer é que um estúdio de retratos voltado para família precisa olhar com cuidado para gestão e método, já que é tudo muito técnico. Tão técnico quanto a iluminação, o conhecimento e o domínio dos recursos fotográficos.

Da importância da divulgação até a venda, e de entender que o comportamento dos clientes é fundamental. Zé Mauro, na essência, falava de um negócio que lida com emoção e vaidade, simples assim. Lida também com memórias e tem total relação com o momento, o que fica claro no conceito que ele vendia – venda de sessões por impulso no estúdio de rua.

Hoje é fascinante notar a quantidade de estúdios de rua espalhados em todas as regiões brasileiras: operações que atendem mulheres, gestantes, crianças e a onda newborn. Muitos desses negócios começaram em casa e depois evoluíram para um estúdio próprio. Tudo começa na paixão e vai do home studio ao sonho do negócio próprio. E é bom que fique claro: não é fácil e dá um trabalho danado. Quem persiste sabe das demandas e dores do negócio.

Nas inúmeras matérias e visitas que fazemos quase sempre o relato é igual. Eu amo fotografar…só tenho que aprender a gerenciar os negócios. Números, quantidades de sessões, finanças. Quantas sessões tenho que vender por mês? Quanto custa para funcionar? Quanto vale meu tempo e cliques? Como vou crescer e aparecer? 

Neste momento de crise será que a grande pergunta não deveria ser como melhorar o negócio?

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Agora veja o caso da fotógrafa Lidi Lopez, que tem o nome reconhecido na fotografia e é sonho de consumo de muitas famílias. Ao entrar no site dela você já vê logo o aviso: não tenho filiais em outros estados. Um alerta aos clientes e copiadores. Nessa semana visitei o estúdio da Lidi e mostrei tudo ao vivo. De imediato lembrei do Zé Mauro e do seu legado: a importância do marketing e do empreendedor no negócio.

Aliás, no último Congresso Fotografar, Lidi falou sobre esse tema e contou que hoje não fotografa mais, mas conta com um time de fotógrafas de confiança que clicam sessões de newborn, família, crianças e gestantes.

Lidi criou casas com enfoque distintos, onde atende seus clientes. São casas enormes e cheias de sets com cenários temáticos. Lá estão dezenas de espaços criados por ela e o cenógrafo e cada canto pede um flash.
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O Periscope que filmamos nessa semana em duas partes mostra os bastidores dos ensaios, os cantinhos com temas, os planos e a conduta daqui para frente. De tudo o que vi e ouvi, um dos pontos que mais me chamou a atenção é ela ter dito que agora largou a câmera para se dedicar ao lado empreendedor. Ela quer e vai expandir e tem confiança na equipe e da importância de olhar os números, respeitando a lógica do “só dá para administrar o que é medido”.

Os planos incluem uma filial em Campinas e projeto de expansão de uma forma diferenciada. Lidi é uma figura polêmica, de falar o que pensa, de posições que muitas vezes irritaram os profissionais (ela serve aos clientes ou aos fotógrafos?). Confesso que de certa forma muitas das coisas que ela disse me lembram do estilo e dos valores do que Zé Mauro defendia.

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Hoje Lidi trabalha com pesquisa de satisfação ao final das sessões e em breve terá um sistema de CRM (banco de dados sobre a clientela e com visão geral do negócio) para gerir a fotografia de forma precisa.

A fotógrafa e agora empreendedora criou uma marca preocupada em atrair e agradar clientes e não fotógrafos, embora tenha seguidores na fotografia.

Lidi Lopez garantiu vários feitos: criou uma assinatura visual reconhecida e valorizada pelo seu público, replicou o estilo com as fotógrafas colaboradoras e agora encara nova fase como gestora da própria marca. Os clientes costumam levar as fotos de Lidi que viram na internet, na mídia e nas redes sociais.

O estúdio dela fica perto da FHOX e creio que nem mesmo o Zé Mauro poderia imaginar que um formato desses daria certo em uma cidade tão grande como São Paulo. Talvez o segredo do sucesso dela seja simples. Aos clientes ela não vende sessões e sim sonhos e experiências, uma entrega de encantamento.

Não deveria ser esse o sonho de qualquer negócio da fotografia?

 

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