O ilustrativo caso de Harry Whittier Frees

A incrível história (e os ensinamentos) de um fotógrafo norte-americano pioneiro em retratos de animais estimação do começo do século XX

por Revista FHOX Publicado há 10 meses atrás | por Leo Saldanha

Existe muito lixo na internet e ao mesmo tempo muita coisa boa. Nessa semana reapareceu a história do fotógrafo Harry Whittier Frees, nascido em 1879 e que começou a fotografar animais de estimação a partir de 1902. Foi só em 1905 ele começou a criar as sessões de pets fantasiados. Reza a lenda que a ideia de vestir os bichos ocorreu ao acaso. Em uma festa de aniversário da família, alguém derrubou um chapéu de papel na mesa e algum parente decidiu colocar na cabeça de um gato. Como bom fotógrafo, Frees percebeu a oportunidade e fez o clique. Ele teve o estalo para transformar aquele tipo de ensaio em um negócio quando um fabricante de cartões postais pediu para usar aquele retrato do gato em seus produtos impressos. Cresceu a procura e Frees montou um estúdio e passou a vender fotos dos bichinhos em postais, calendários, inúmeros livros e outras foto lembranças.

Frees “alugava” os bichos de estimação dos vizinhos, amigos e até das lojas de pet para retratar todos. A mãe do fotógrafo e a empregada da família cuidavam de costurar as roupas e das produções para cada retrato. Agora vamos pensar: se hoje continua sendo difícil clicar animais, imagine naquele tempo em que a fotografia era uma grande novidade. A dificuldade dos cliques era imensa, Frees tinha que fotografar rapidamente os filhotes. Um trabalho super cansativo e que funcionava na base da tentativa e erro. Os animaizinhos tinham que ficar “na pose” para fotos com exposição de 1/5 segundos. De cada 100 negativos ele só aproveitava 30. O desgaste mesclado com ansiedade era tamanho que Frees só fotografava durante três meses e depois tirava o resto do ano para se recuperar e pensar em novos projetos fotográficos.

O fotógrafo ganhou certa notoriedade nos Estados Unidos graças as fotos de filhotinhos de cães e gatos fantasiados. As imagens apareciam em propagandas da época, anúncios de revista e livros infantis. Seu trabalho ficou bastante conhecido em matérias (saiu na lendária Revista Life por exemplo) e ele seguiu retratando gatos com roupas por várias décadas. Segundo as diversas fontes na internet, tudo ocorreu meio que por acaso. As fotografias surreais estão disponíveis na biblioteca do congresso norte-americano.

Uma matéria do Marshable traz até alguns comentários (datados de 1929) do fotógrafo sobre o ofício e suas preferências. O artigo diz ainda que Frees não ficou rico e nem conseguiu manter estabilidade financeira. Depois que seus pais morreram ele teria se isolado e se suicidou em março de 1953.

Coelhos são os mais fáceis de fotografar com fantasia. Embora difíceis de inserir características humanas. Filhotes de cães se comportam bem quando compreendidos, já gatos são muito versáteis, verdadeiros atores e possuem um apelo mais variado.

Rags possui um intelecto fora do comum para um gato. Ele consegue ficar na mesma pose por vários minutos sem reclamar. Quando ultrapasso seu limite de cansaço ele só protesta com um pequeno murmúrio. Um pouco de brincadeira no chão acompanhado de alguma recompensa (comida) faz com que ele se recomponha para o seu estilo original amigável.

O melhor período para fotografar os filhotes é curto. Entre 6 e 10 semanas de idade. Um fato interessante é que a melhor forma de manter a atenção de um gato é pela visão. Já cães respondem rapidamente aos sons, da mesma forma com que se distraem com barulhos.

Essa história é fascinante e ilustrativa em vários aspectos. Primeiro porque deixa claro que o sucesso espontâneo muitas vezes também é resultado da sorte. Segundo, porque as oportunidades surgem sim, mas sempre acompanhadas de trabalho pesado.  E a terceira e não menos importante: fama e modinhas fotográficas vem e vão meio sem a gente perceber e é sempre bom estar ciente disso.

 

Ps – algumas semanas atrás publiquei no meu Insta algumas fotos de bandidos australianos. Nesse caso, “os ensaios” mostram-se estilosos e os bandidos daquele tempo viam a hora dos retratos como espécie de registro especial da carreira criminosa. Em algumas das imagens o orgulho dele está mais do que evidente. Quanto ao estilo das imagens, sejam pets ou bandidos da época, a grande questão: o que é atual ou vai ficar datado parece muito relativo…

 

 

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