Foto no cinema

As colunas de Marco Perlman na revista FHOX agora republicadas nesse novo blog do site FHOX

por Revista FHOX Publicado há 2 semanas atrás | por Marco Perlman

publicado em abril passado na edição impressa (187) da FHOX

Quando se tem filho pequeno e empresa para cuidar, nem sempre o cinema ocupa um lugar de destaque na lista de prioridades. É para gente assim, como eu, que existem as viagens internacionais diurnas. Entre drinks, passeios no corredor, refeições, mais drinks e até uma revista para descansar os olhos (!), dá tempo de assistir a uns três filmes. Desta vez, porém, parei no segundo e fiquei pensando o resto da viagem. Esperava um filme bonitinho, água com açúcar… merecedor de ser anunciado como ganhador do Oscar e injustiçado por ter a estatueta retirada antes mesmo de recebê-la.

Jamais imaginei que poderia adorar La La Land. Gostei das músicas, me diverti com as danças, admirei as interpretações dos protagonistas, me impressionei com os cenários, curti a história de amor. Mas me encantei de verdade com a saga de Sebastian. Nas desventuras do personagem, assisti ao perseguidor do sonho impossível, ao guerreiro incansável, ao idiota genial, ao obcecado frustrado… ao empreendedor. Para aumentar ainda mais minha ligação com o filme, enxerguei, na luz do jazz, o som da fotografia.

A obsessão pelo estilo musical não é diferente do que vemos nos corredores das feiras e nos palcos (e plateias) dos congressos. De um lado, a paixão artística, a vontade de criar, a relutância em seguir regras fáceis, o desprezo (às vezes disfarçado) pelos modismos. De outro lado, a necessidade de pagar as contas, de fazer, de estar em atividade, de viver ou sobreviver, de executar (ainda que a contragosto) os modismos. Fotografia enlatada, autoral, criativa, tecnológica? Jazz enlatado, autoral, criativo, tecnológico!

Não há certo nem errado, não há um caminho único. Não há, sequer, uma definição de sucesso. Ganhar dinheiro? Conquistar o ser amado? Agradar ao público? Encantar a crítica? Montar a exposição, ou o jazz club, do jeito que sempre se sonhou? O que vale mais?

 Coroam-se vencedores – Não há certo nem errado, não há um caminho único. Não há, sequer, uma definição de sucesso. Ganhar dinheiro? Conquistar o ser amado? Agradar ao público? Encantar a crítica? Montar a exposição, ou o jazz club, do jeito que sempre se sonhou? O que vale mais? Que sacrifícios valem a pena? Perguntas impossíveis para empreendedores. Assim, travam-se batalhas inexplicáveis, realizam-se sacrifícios para conquistar territórios sequer conhecidos, e muito menos desejados. E, por algum critério muito mal explicado, coroam-se vencedores.

Outro aspecto que, a meu ver, aproxima o jazz da fotografia, transcende paixão e vontade. As duas artes, à sua maneira, oferecem amplas possibilidades técnicas. Há muito espaço para improviso, mas também enormes oportunidades para estudo e aprendizado. As referências históricas permitem acelerar o desenvolvimento da forma individual de expressão. É importante saber o quê, o como, o porquê… independente de se querer ser tradicional ou revolucionário, por que ignorar caminhos previamente percorridos? Que razão haveria para reinventar a roda, correndo até mesmo o risco de ter a inventividade confundida com plágio?

Não há como negar que a glória e o futuro do jazz (e da fotografia) está naquilo que ainda não existe. Novos tijolos, novas paredes, novas casas terão de ser construídas para abrigar a próxima etapa destas artes. Vale a pena saber as regras para poder quebrá-las. Vale conhecer o passado para ter um presente melhor e construir com um futuro realmente valioso. Vale a pena correr riscos. Vale ir contra a maré. Vale a pena sonhar grande, como sugere a música do próprio filme:

The Fools who Dream (Os Loucos que Sonham), por Benj Pasek e Justin Paul

Here’s to the ones who dream Um brinde aos que sonham
Foolish as they may seem Por mais loucos que pareçam
Here’s to the hearts that ache Um brinde aos corações que doem
Here’s to the mess we make. Um brinde à bagunça que fazemos.

Marco Perlman é CEO da Digipix/Indimagem. A empresa é o maior laboratório profissional da América Latina. Saiba mais: www.digipix.com.br e www.indimagem.com.br 

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