Eu Sou a Renovação

A Nikon não está falindo e nem vai sumir do mapa. Na verdade, talvez essa seja uma grande oportunidade de reinvenção para a marca.

por Revista FHOX Publicado há 5 meses atrás | por Leo Saldanha

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Não há como não falar sobre a notícia que chegou com tudo nessa semana. Nikon anunciou (na última segunda) o cancelamento da linha DL e deu mais detalhes da reestruturação. A empresa vai cortar mais de mil postos de trabalho e vai enfocar boa parte do time de fotografia na criação de equipamentos premium (mais rentáveis). No dia seguinte à divulgação dos dados, e graças a ampla cobertura da mídia, as ações caíram 15% e o valor da marca derreteu em 1 bilhão de dólares.

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Mesmo quem não é Nikon pode ficar abalado com a notícia. É ruim mesmo. Ou talvez seja boa. Será?

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A fotografia é uma coisa engraçada, o cara agoniza, agoniza, mas não morre nunca.

Ouvi essa frase em Teresina em 2009. Dita por um lojista de lá. Ele reclamava da queda da revelação e das transformações tecnológicas. Não muito longe dali, outros lojistas tinha a mesma percepção. Não todos. Alguns estavam muito bem. Por quê? Souberam se reinventar. Tinham estúdio, vendiam fotopresentes e faziam cobertura de eventos. Apostaram em diversificação.

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Aliás, o retrospecto e as decisões estratégicas de outras marcas da fotografia indicam muitas possibilidades. Vamos lá:

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Polaroid (faliu mais de uma vez) e retornou com novidades. Hoje atua em vários segmentos (até tv eles vendem) e na fotografia soube criar novos produtos que misturam o digital e o analógico de forma engenhosa.

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A Polaroid está presente nos principais eventos de tecnologia e fotografia do mundo. E fez parcerias de impressão com várias marcas (Fujifilm inclusive). A Polaroid não só voltou como está batalhando sem esquecer do principal parceiro desse momento: o smartphone. Não esquece também do seu legado analógico e da força do logo.

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Uma das apostas foi no segmento de câmeras de ação

Falando nisso, faz poucos dias eu estava em um aeroporto internacional e vi impressoras Polaroid para smartphone e câmeras instantâneas em uma banca de revista. Em uma loja qualquer…

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The Impossible Project é outra vertente com a raiz da Polaroid. Envolve a retomada da produção de filmes clássicos da marca. The Impossible lançou (não faz muito tempo) um revolucionário equipamento que imprime fotos Polaroid, mas só funciona com o smartphone. As vendas de câmeras e filmes Polaroid não para de crescer entre jovens e celebridades.

 

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A Kodak pediu concordata (não falência como muita gente diz) em 2012. Em 2013 a empresa foi dividida em duas (Kodak Eastman e Kodak Alaris). A Kodak Alaris hoje atua na fotografia em várias partes do mundo e produz papéis fotográficos, apps de foto, quiosques e impressoras. Segue líder mundial em quiosques (mais de 110 mil) e presente em milhares de pontos de venda no mundo. Na WPPI que ocorreu na semana passada a marca contava com um estande enfocando nas últimas novidades e lançamentos em papel fotográfico.

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Kodak Alaris na WPPI. Foto de Brad Zane

Lá ainda apresentaram uma nova versão de um software para ajudar fotógrafos e negócios com foto a ganhar mais dinheiro com fotografia. Um dos principais alvos da Kodak Alaris: o smartphone.

 

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A Canon atua com força em impressão. Seja com impressoras pequenas ou de grandes formatos. Algumas delas se conectam ao Instagram. A marca anunciou hoje uma nova câmera mirrorless.

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A combinação captura e impressão parece caminhar de forma muito equilibrada nas ações da Canon. Um belo diferencial. Importante: já tem alguns anos que a Canon enfoca nos modelos mais rentáveis entre as câmeras. Contudo, a marca obteve excelente resultados com os modelos de entrada. Sobretudo com jovens YouTubers. Tanto aqui quanto lá fora.

 

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Hasselblad agora é DJI. A fabricante sueca, referência em câmeras de altíssima qualidade, passou por dificuldades nos últimos anos. Recentemente fez apostas com parcerias interessantes com Lenovo e com a própria DJI. Aqui, mais uma vez, smartphones e também os drones, apresentaram uma nova trilha promissora para a marca. Se falei de Hassel tenho que falar de outra joia. A Leica. A estratégia da marca vai bem lá fora. Com pontos físicos tipo boutique e comunicação arrojada.  Agora veja que interessante, modelos recentes da empresa trazem recursos de conexão com o smartphone.

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A grande parceria da Leica anunciada no ano passado foi com a chinesa Huawei. Venderam milhões de aparelhos P9 que trazem lentes duplas e tecnologia Leica.

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A Fujifilm soube reposicionar os negócios e investiu em tecnologia e inovação nos mais variados setores (médico, cosméticos, remédios e muito mais). A marca obteve grande sucesso com a série X e com as câmeras instantâneas Instax.

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O smartphone também virou um dos alvos da marca. Conexão presente em quiosques, impressoras, Instax e até na série-X. A Fujifilm virou case de reposicionamento em revistas como The Economist e Bloomberg.

 

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A Sony talvez indique algumas respostas mais certeiras para a Nikon. A gigante japonesa enfocou nos modelos premium: Linha RX e nos modelos mirrorless.

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Hoje Sony é referência junto com a Fujifilm nesse segmento de câmeras sem espelho. Melhor, a marca apostou forte na divisão de sensores (meio que desistindo dos smartphones) e hoje atende os principais fabricantes de smartphones e das próprias fabricantes de câmeras.

 

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Alguém duvida que a Nikon tem totais condições de reformular os negócios e voltar mais forte dessa reestruturação? No comunicado oficial, eles disseram que os esforços estarão voltados para os modelos mais rentáveis. Isso é bom. É fato que a Nikon traz muita dependência da parte de câmeras. Diferente da Sony, Fujifilm e Canon que atuam forte em outros segmentos. Mas da mesma forma, isso pode ser uma vantagem. Se existe uma marca que poderia lançar um novo tipo de categoria de produto na fotografia (e vídeo) é a Nikon. As câmeras de ação com recursos de 360 graus voltados para realidade aumentada foram tentativas nesse caminho.

Após todo esse panorama fica mais do que evidente que olhar para os smartphones como aliado é o melhor caminho.

 

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Foto: Popular Mechanics

O problema é que a competição no mercado de câmeras de ação é ferrenho (de oceano azul…ficou bem vermelho). Até a GoPro está sofrendo para manter a rentabilidade tamanha competição.

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Não sei qual é o futuro da Nikon. Espero que seja promissor. Aliás esse é um desejo que estendo para todas as marcas que atuam na fotografia. Até porque  o nosso futuro (e do ramo) depende delas…

 

 

 

 

 

 

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